Franjas seguem em alta

As franjas voltaram às passarelas nas temporadas mais recentes e seguem relevantes em 2026, não como um detalhe pontual, mas como parte de uma construção estética que atravessa coleções, marcas e categorias de produto.

O que muitos varejistas e especialistas notaram foi o voltar à cena em roupas e acessórios (especialmente nas bolsas), revelando continuidade, e isso não foi acaso.

A cadência na moda e o que seu negócio ganha com isso

A moda não funciona por rupturas aleatórias. Como explicamos nas mentorias para varejistas de moda, a moda avança por cadência, como conversas visuais que se repetem, se refinam e ganham novas leituras ao longo das temporadas, mesmo quando isso não é imediatamente percebido pelo consumidor final.

Nas últimas temporadas de desfiles, marcas como Balmain e Bottega Veneta reforçaram esse movimento de maneiras distintas.

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Bottega Veneta, Balmain e Bottega Veneta – SS26

A Bottega Veneta trabalhou franjas integradas à construção das peças, especialmente em couro, com acabamento sofisticado e foco em textura e fluidez. Já a Balmain deu um show de narrativa handmade completamente introduzida ao dia a dia fashion e urbano, apresentando franjas com uma leitura mais orgânica e feminina, conectada ao seu DNA boho contemporâneo, tanto em roupas quanto em acessórios.

A permanência das tendências

Enquanto a discussão ‘microtendêcia acabou’ ferve nas redes, o que observamos nos bastidores fala muito mais sobre amadurecimento das estéticas. Elas não surgem isoladas em uma coleção e desaparecem na seguinte. Reaparecem em proporções diferentes, em novos materiais e em categorias variadas de produto. Na temporada mais recente, inclusive, os pendurucalhos extrapolaram as bolsas e passaram a dialogar com o styling dos looks, reforçando que o detalhe deixou de ser acabamento para se tornar linguagem.

Para quem empreende na moda, essa repetição é um sinal claro de segurança criativa. Tendências que retornam com pequenas variações indicam espaço para investimento mais longo, desde que o produto seja bem pensado. Franjas aplicadas sem critério, exageradas ou desconectadas do design rapidamente desvalorizam produtos e coleções inteiras. Já versões integradas à estrutura da peça tendem a atravessar estações.

Vale a pena investir em franjas para os produtos de inverno 26 e verão 27?

Sim, desde que a decisão seja estratégica. Em acessórios, elas funcionam melhor como detalhe de movimento, pendurucalho ou extensão do material principal, sem comprometer uso, peso ou durabilidade. Em roupas, funcionam quando fazem parte da construção da peça e não apenas como adorno final. Ou seja: franjas seguem em pauta, principalmente, em releituras novas, texturizadas e adaptáveis às coleções futuras.

O ponto central é entender que a moda está em diálogo com movimento, textura e presença visual contínua. As franjas são uma das respostas mais consistentes a essa conversa. Quem entende essa cadência desenvolve produtos mais coerentes, com maior vida útil e menos dependência de apostas arriscadas.

Amadurecer tem dessas, não é mesmo? Um olho no próximo hype e outro em reconhecer quais conversas seguem ativas e saber entrar nelas com intenção.

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